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	<title>Ideas in Blog &#187; Hipermodernidade</title>
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		<title>As vontades da hipermodernidade&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Dec 2009 19:17:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Hipermodernidade]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;&#8230;não há nenhuma necessidade de invocar as regras da lógica, quer para evitar um paralogismo, quer para fazer um raciocíonio correto; o maior lógico do mundo deixa-as completamente de lado quando raciocina realmente&#8221;. (SCHOPENHAUER, o mundo como vontade e representação, livro i, ) Esses dias, não apenas inspirada pelas aulas de filosofia antiga, mas muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>&#8220;&#8230;não há nenhuma necessidade de invocar as regras da lógica, quer para evitar um paralogismo, quer para fazer um raciocíonio correto; o maior lógico do mundo deixa-as completamente de lado quando raciocina realmente&#8221;. (SCHOPENHAUER, o mundo como vontade e representação, livro i, )</p></blockquote>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-574" title="schopenhauer-nietzsche" src="http://www.marianneabreu.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/12/schopenhauer-nietzsche.jpg" alt="schopenhauer-nietzsche" width="460" height="301" /></p>
<p>Esses dias, não apenas inspirada pelas aulas de filosofia antiga, mas muito mais inspirada pela busca da minha essência e alívio para as minhas vontades, voltei a ler Sartre e Schopenhauer. Sartre é autor daquela famosa frase &#8220;O inferno são os outros&#8221;, em que ele não, exatamente, condena a existência dos &#8220;outros&#8221;, mas diz que, embora os &#8220;outros&#8221; o atrapalhe no alcance de seus projetos, são eles que dão motivo à continuidade deles. Enquanto isso, Schopenhauer disserta sobre a &#8220;vontade&#8221; em sua obra mais famosa &#8220;O mundo como vontade e representação&#8221;. Ele coloca a vontade como um mal, a &#8220;causa de todo sofrimento, cadeia perpétua de aspirações sem fim, o que provoca a dor de permanecer algo que jamais consegue completar-se&#8221;.</p>
<p>Buscamos, nos dedicamos e queremos. Quando nossa vontade é quebrada e um projeto fracassado, sofremos. Somos um emaranhado de pessoas com vontades e projetos diferentes, e saciar todas essas vontades no mesmo universo de forma bem sucedida é impossível. Esse é o &#8220;outro&#8221; de Sartre que chega para impedir sua vontade. Essa variável e insaciabilidade da vontade que nos leva da euforia à quimera seria a força mais fundamental da natureza que se manifesta no homem e em todo o universo, segundo Schopenhauer.</p>
<p>Lendo sobre &#8220;O mundo como vontade e representação&#8221; (uma obra de 4 livros publicada em 1819) lembrei do filosófo francês Gilles Lipovetsky que, e em 1983, lançou a primeira edição de seu livro &#8220;L&#8217;ère du vide : Essais sur l&#8217;individualisme contemporain&#8221;,  traduzido no Brasil como &#8220;A  era do Vazio, Ensaios Sobre o Individualismo Contemporâneo&#8221;.<br />
Lipovetsky é o grande teórico da &#8220;hipermodernidade&#8221;, termo cunhado por ele para falar do ritmo frenético e ansioso que a sociedade vive atualmente. Fazendo um paralelo com Schopenhauer, hipermodernidade seria a exacerbação das vontades, a cultura do excesso, do sempre mais e do ápice da  insaciabilidade. Para ele, houve uma hiperativação da modernidade, ou seja, não há pós-modernidade e sim, hipermodernidade: &#8220;o homem da sociedade hipermoderna é um hiperindividualista. Esse é o conceito. Mas o que significa hiperindividualismo? Que ele é mais responsável pela sua própria existência. (&#8230;) Ele sofre mais pressões do tempo, ora no trabalho, ora na vida privada. Isso faz com que o século 21 que se anuncia seja um século de novos conflitos, não tanto de lutas de classe, mas de conflitos internos, dentro desse homem.&#8221; diz Lipovetsky.</p>
<p>Mas se, por um lado, existe a definição pessimista de vontade feita por Schopenhauer, numa visão de que a vida não possui sentido racional e que vivemos condicionados pelas expressões da vontade instintiva e cósmica, também existe a definição de Nietzsche. Para Nietzsche, vontade é uma força positiva que incentiva e motiva o homem a enfrentar obstáculos e vencer desafios, uma forma de transcendência do ser humano:</p>
<blockquote><p>“E sabeis&#8230; o que é pra mim o mundo”?&#8230; Este mundo: uma monstruosidade de força, sem princípio, sem fim, uma firme, brônzea grandeza de força&#8230; uma economia sem despesas e perdas, mas também sem acréscimos, ou rendimento,&#8230; mas antes como força ao mesmo tempo um e múltiplo,&#8230; eternamente mudando, eternamente recorrentes&#8230; partindo do mais simples ao mais múltiplo, do quieto, mais rígido, mais frio, ao mais ardente, mais selvagem, mais contraditório consigo mesmo, e depois outra vez&#8230; esse meu mundo dionisíaco do eternamente-criar-a-si-próprio, do eternamente-destruir-a-si-próprio, sem alvo, sem vontade&#8230; Esse mundo é a vontade de potência — e nada além disso! E também vós próprios sois essa vontade de potência — e nada além disso!”</p></blockquote>
<p>Um dia fracassamos e outro dia vencemos.<br />
Boa ou má, é a vontade que nos permite continuar.</p>
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