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	<title>Ideas in Blog &#187; economia</title>
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		<title>Economia movida à ideias</title>
		<link>http://www.marianneabreu.com.br/blog/2009/03/24/o-homo-economicus/</link>
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		<pubDate>Tue, 24 Mar 2009 03:43:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marianne</dc:creator>
				<category><![CDATA[ETC E TAL]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>

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		<description><![CDATA[Ideia não nasce em árvore. Era de se esperar que depois de um tempo, depois do ápice da crise, chegássemos a uma reflexão sobre as ideias do &#8220;Homo Economicus&#8220;: - Vou lhe contar a história. Gostaria de ouví-la? - Ahn&#8230; - Há muitos anos este era um planeta próspero e feliz. Havia pessoas, cidades, lojas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-403" title="sapatos" src="http://201.33.21.54/~marianne/blog/wp-content/uploads/2009/03/sapatos.jpg" alt="" width="450" height="337" /><br />
Ideia não nasce em árvore.</p>
<p>Era de se esperar que depois de um tempo, depois do ápice da crise, chegássemos a uma reflexão sobre as ideias do &#8220;<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Homo_economicus" target="_blank">Homo Economicus</a>&#8220;:</p>
<blockquote><p>- Vou lhe contar a história. Gostaria de ouví-la?</p>
<p>- Ahn&#8230;</p>
<p>- Há muitos anos este era um planeta próspero e feliz. Havia pessoas, cidades, lojas, era um mundo normal. Exceto pelo fato de que nas ruas dessas cidades havia um número de sapatarias um pouco maior do que poderíamos considerar necessário. E lentamente, insidiosamente, o número dessas sapatarias foi aumentando. É um fenômeno econômico bastante conhecido, mas trágico quando você vê a coisa toda acontecendo. Quanto mais sapatarias havia, mais sapatos precisavam ser fabricados, e os sapatos iam ficando piores e menos duradouros. E quanto piores ficavam, mais as pessoas tinham que comprar sapatos para se manterem calçadas, e mais as sapatarias se expandiam, até que toda a economia do planeta passou por algo que, se não me engano, foi chamado de Horizonte dos Eventos dos Sapatos &#8211; um ponto a partir do qual, economicamente, não era mais possível construir nada a não ser sapatarias. O resultado disso foi um colapso econômico e social, a ruína e a fome. A maioria da população pereceu. Os poucos que tinham um tipo específico de instabilidade genética sofreram mutações e viraram pássaros que amaldiçoaram seus pés, almaldiçoaram o chão e juraram que ninguém mais andaria aqui. Muito infeliz, isso tudo&#8230;</p></blockquote>
<p>Então os habitantes daquele planeta viraram pássaros e nunca mais precisaram de sapatos. Assim contou <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Douglas_Adams">Douglas Adams</a> em um trecho de sua obra de ficção &#8220;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Restaurant_at_the_End_of_the_Universe">O Restaurante no Fim do Universo</a>&#8220;. Mas será que ainda temos sapatos suficientes para calçar todo mundo?</p>
<p>Uma amiga, ao chegar na loja da Apple de NY para consertar seu iPod, foi surpreendida quando o próprio vendedor informou que os produtos são feitos para durarem apenas até o próximo lançamento: &#8220;<strong>You know?</strong>&#8221; &#8211; disse ele baixinho &#8220;<strong>Our products are manufactured to have a short time of life, you know?</strong>&#8221; &#8211; Sim, reparamos.</p>
<p>Com o tempo de vida dos produtos reduzido, temos produzido mais, consumido mais, desejado mais, criado mais, inventado mais, apostado mais, trabalhado mais e.. ai&#8230; cansado mais!</p>
<p>&#8220;Há algumas décadas, ainda não podíamos compreender tão claramente os mecanismos de produção da riqueza. A diferença entre a situação que prevalecia em meados do século XX e no início do século XXI é essencialmente de <strong>velocidade</strong>. Tudo se acelerou. (&#8230;) <strong>Entre a descoberta da ideia e sua colocação no mercado, o tempo encurtou de uma maneira impressionante.</strong>&#8221; &#8211; escreveu <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_L%C3%A9vy" target="_blank">Pierre Lévy</a> em seu livro &#8220;A conexão planetária&#8221;.</p>
<p>Então queremos mais e mais, e queremos de qualquer forma, nem que tenhamos que pedir dinheiro emprestado. E se por um lado existe o desejo do consumidor, por outro existe o incentivo do mercado. Quando o consumo cai, o mercado incentiva o crédito. Foi nessa onda que muitos americanos pagaram a crédito e levaram os EUA a uma crise no setor imobiliário.<br />
Crédito é a prova máxima da virtualidade do dinheiro. Assim, esse mundo de ficção em confronto com a realidade levou o mundo ao colapso. Para entender melhor, esse video ilustra bem:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="400" height="225" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=3261363&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=&amp;fullscreen=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="400" height="225" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=3261363&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=&amp;fullscreen=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<a href="http://vimeo.com/3261363">The Crisis of Credit Visualized</a> from <a href="http://vimeo.com/jonathanjarvis">Jonathan Jarvis</a> on <a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
<p>A crise econômica, em meio a uma mudança cultural na sociedade de consumo num mundo cada vez mais interconectado, marcou o &#8220;crack&#8221; de 2008. A economia se tornou centro das atenções e principal notícia nos canais de comunicação. Mas o que muitos não notaram foi a mudança crucial pela qual a economia está passando. Estamos em uma época em que os interesses dos consumidores parecem mais virtuais do que palpáveis. É como se os sapatos de Douglas Adams estivessem virando &#8220;ideias&#8221; no nosso mundo atual. A economia se torna a ciência da troca de informação e de conhecimento em uma busca desenfreada por novas ideias.</p>
<p>&#8220;Escandalizamo-nos com a bolha financeira, que se infla apenas com a especulação, que não corresponde a nenhum &#8216;valor real&#8217;. A que gostaríamos que correspondessem todos esse &#8216;dólares virtuais&#8217; ?&#8221; &#8211; pergunta Lévy. Eu responderia: &#8220;conhecimento&#8221;. Conhecimento e sabedoria suficiente para sabermos lidar com nossas ideias, porque, afinal, elas não nascem em árvore.</p>
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