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Ideas in Blog

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Economia movida à ideias

2 comments // Mar 24th, 2009 // ETC E TAL


Ideia não nasce em árvore.

Era de se esperar que depois de um tempo, depois do ápice da crise, chegássemos a uma reflexão sobre as ideias do “Homo Economicus“:

- Vou lhe contar a história. Gostaria de ouví-la?

- Ahn…

- Há muitos anos este era um planeta próspero e feliz. Havia pessoas, cidades, lojas, era um mundo normal. Exceto pelo fato de que nas ruas dessas cidades havia um número de sapatarias um pouco maior do que poderíamos considerar necessário. E lentamente, insidiosamente, o número dessas sapatarias foi aumentando. É um fenômeno econômico bastante conhecido, mas trágico quando você vê a coisa toda acontecendo. Quanto mais sapatarias havia, mais sapatos precisavam ser fabricados, e os sapatos iam ficando piores e menos duradouros. E quanto piores ficavam, mais as pessoas tinham que comprar sapatos para se manterem calçadas, e mais as sapatarias se expandiam, até que toda a economia do planeta passou por algo que, se não me engano, foi chamado de Horizonte dos Eventos dos Sapatos – um ponto a partir do qual, economicamente, não era mais possível construir nada a não ser sapatarias. O resultado disso foi um colapso econômico e social, a ruína e a fome. A maioria da população pereceu. Os poucos que tinham um tipo específico de instabilidade genética sofreram mutações e viraram pássaros que amaldiçoaram seus pés, almaldiçoaram o chão e juraram que ninguém mais andaria aqui. Muito infeliz, isso tudo…

Então os habitantes daquele planeta viraram pássaros e nunca mais precisaram de sapatos. Assim contou Douglas Adams em um trecho de sua obra de ficção “O Restaurante no Fim do Universo“. Mas será que ainda temos sapatos suficientes para calçar todo mundo?

Uma amiga, ao chegar na loja da Apple de NY para consertar seu iPod, foi surpreendida quando o próprio vendedor informou que os produtos são feitos para durarem apenas até o próximo lançamento: “You know?” – disse ele baixinho “Our products are manufactured to have a short time of life, you know?” – Sim, reparamos.

Com o tempo de vida dos produtos reduzido, temos produzido mais, consumido mais, desejado mais, criado mais, inventado mais, apostado mais, trabalhado mais e.. ai… cansado mais!

“Há algumas décadas, ainda não podíamos compreender tão claramente os mecanismos de produção da riqueza. A diferença entre a situação que prevalecia em meados do século XX e no início do século XXI é essencialmente de velocidade. Tudo se acelerou. (…) Entre a descoberta da ideia e sua colocação no mercado, o tempo encurtou de uma maneira impressionante.” – escreveu Pierre Lévy em seu livro “A conexão planetária”.

Então queremos mais e mais, e queremos de qualquer forma, nem que tenhamos que pedir dinheiro emprestado. E se por um lado existe o desejo do consumidor, por outro existe o incentivo do mercado. Quando o consumo cai, o mercado incentiva o crédito. Foi nessa onda que muitos americanos pagaram a crédito e levaram os EUA a uma crise no setor imobiliário.
Crédito é a prova máxima da virtualidade do dinheiro. Assim, esse mundo de ficção em confronto com a realidade levou o mundo ao colapso. Para entender melhor, esse video ilustra bem:


The Crisis of Credit Visualized from Jonathan Jarvis on Vimeo.

A crise econômica, em meio a uma mudança cultural na sociedade de consumo num mundo cada vez mais interconectado, marcou o “crack” de 2008. A economia se tornou centro das atenções e principal notícia nos canais de comunicação. Mas o que muitos não notaram foi a mudança crucial pela qual a economia está passando. Estamos em uma época em que os interesses dos consumidores parecem mais virtuais do que palpáveis. É como se os sapatos de Douglas Adams estivessem virando “ideias” no nosso mundo atual. A economia se torna a ciência da troca de informação e de conhecimento em uma busca desenfreada por novas ideias.

“Escandalizamo-nos com a bolha financeira, que se infla apenas com a especulação, que não corresponde a nenhum ‘valor real’. A que gostaríamos que correspondessem todos esse ‘dólares virtuais’ ?” – pergunta Lévy. Eu responderia: “conhecimento”. Conhecimento e sabedoria suficiente para sabermos lidar com nossas ideias, porque, afinal, elas não nascem em árvore.


2 responses so far, want to say something?

  1. Lipão says:

    Depois de ler esse texto, resolvi pensar duas vezes antes de trocar me iPhone 2G pelo 3G… onde não uso nem pacote de dados!!!!

    Mar 24, 2009, 4:37 pm
  2. marianne says:

    Pois é.. e esse modelo de iPhone 3G já tá quase ultrapassado.

    Mar 24, 2009, 6:12 am

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Olá, sou Marianne Abreu, designer de interfaces digitais e interativas, atualmente trabalhando na Globo.com.


Um passarinho me contou...


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