
“O cinema morreu” – diria Peter Greenaway com total convicção. Em 2008, o multiartista britânico esteve no Brasil para viabilizar a produção de um filme que deverá rodar em São Paulo. Mas não apenas para isso: entre 2002 e 2003, ele produziu um filme chamado Tulse Luper, que tem nada mais, nada menos que sete horas de duração, e foi desmembrado para fazer um “Live Cinema”. O “Live Cinema” de Tulse Luper tornou-se uma apresentação em VJing do que é possível fazer com o cinema utilizando as tecnologias de hoje.
Sons externos tocando em tempo real, intervenção artística no cinema, tela touch-screen desenhando sobre as cenas, mixagem e edição ao vivo. Para Greenaway, depois que a televisão com controle remoto surgiu e as pessoas começaram a usar o “zapping” (troca-troca de canais) o cinema sacramentou sua morte. Para ele “não há mais por que juntar um monte de gente numa sala escura”, afinal, “já existe tecnologia para envolver o espectador em som e imagem por todos os lados e fazer dele o sujeito da ação”.

A ideia de Peter em relação ao cinema é bem interessante e se adequa à realidade que temos vivido atualmente, quando as pessoas buscam cada vez mais mídias com as quais possam interagir. Entretanto, acredito que o artista britânico foi muito ousado e polêmico ao anunciar uma morte retrógrada do cinema. Assisti a palestra de Peter e o que eu percebi é que ele é um artista da década de 40, com fortes influências renascentistas e barroca, que descobriu o enorme potencial que o cinema aliado às novas tecnologias possui, e vislumbrou idéias vanguardistas.
De qualquer forma, tudo isso deve ser interpretado com muito cuidado. O cinema deve sim investir em novas tecnologias e interação dentro da sala de cinema. Mas a passividade, em meio ao alvoroço interativo com atenções divididas, pode ser um alívio para a mente. Experimentar é bom e eu ficaria contente se pudesse entrar numa sala de cinema com telas por todos os lados e várias cenas acontecendo ao mesmo tempo. Mas, não abro mão de entrar numa sala escura e focar minha atenção na história que está rolando na minha frente. Também gosto de ouvir e ver histórias. E apenas ouvir e ver para descansar a mente.
Abaixo, parte da palestra e apresentação de Peter Greenway, que tive a oportunidade de assistir no Rio:



Bruna Bites says:
Assim como outras formas de expressão, o cinema representa um ritual, na verdade vários. O estar no escurinho, namorar, pipoca, emoções, sons, sensações, além de sair de casa para tudo isso.
Acho que muita gente não vai se desprender dessas coisas facilmente, mesmo podendo ter muito disso na sua própria casa.
Criar novas atrações pode ajudar. Eu, por exemplo babei no Imax. É inacreditável o tamanho, as cores, as formas. Outra oportunidade foi ir até exposição do “Rebobine, por Favor” e interagir com a obra. E ainda teve o filme “A gruta” em que o espectadores votam para decidir o final. Mas percebe, que em todos há uma história sendo contada e o básico do filme continua lá, só que explorado de maneira diferente?
Acho que as inovações são invevitáveis, mas o cinema não vai morrer tão cedo.
A propósito, ótimo texto.
Jan 28, 2009, 7:41 pmBeijão.
Cecilia Barroso says:
Concordo com vc!
Eu que sou fã do Greenaway tenho muita vontade de conhecer.
Estive nos lugares citados pela bruna e foram ótimos momentos.
Experiências no cinema são muito legais, mas nada substitui a convencional telona na sala escura.
Quanto à duração do filme, outro dia em São Paulo passou um filme bem convencional, com a tela branca e tudo mais, de oito horas de duração. Assim também eu não quero não…
Jan 28, 2009, 10:21 pmmarianne says:
Obrigada!
Acho que ainda vamos ver várias inovações interativas.. Mas ainda assim, chegará o momento em que nossa mente desejará a passividade. 
Aguarde e veremos!
E, na boa, filmes muito longos, no way! “Tulse Luper” tem 7 horas minha gente…
Jan 28, 2009, 1:16 amO que é isso?