Você ouviu falar do maior desenho do mundo, supostamente feito por um GPS? E das patinadoras que passearam pelas ruas de POA com canetões e o aparelhinho para fazer do mesmo tipo de arte? A “position art” está fazendo tanto sucesso que até eu me senti incentivada a transformar o planeta em uma grande tela de desenho. Você também? Então, senta que lá vem história.
Desenhando de mentirinha

Há um tempo, o designer sueco Erik Nordenankar divulgou na internet seu auto-retrato como o maior desenho do mundo, supostamente feito com um aparelho GPS (Global Positioning System). O GPS teria viajado dentro de uma mala passando por 62 países em seis continentes e os registros gravados por ele formariam o desenho gigante. A repercussão foi tanta, que o artista resolveu admitir que era apenas um projeto fictício feito para seu projeto final de graduação na Faculdade de Design de Beckams e publicou em seu site um esclarecimento sobre o assunto. Pelo menos ele conseguiu o diploma.
Aqui no Brasil, uma agência gaúcha de publicidade se empolgou com a história e, mês passado, criou uma ação publicitária que viralizou na internet. Contrataram duas patinadoras, amarraram um canetão com o aparelhinho nas moças e mandaram elas passearem nas ruas de Porto Alegre. Registraram tudo no blog Desafiando a Inércia e, ao final, foi possível ler a frase “Desafiando a inércia” no mapa da cidade.
E por falar em publicidade, em fevereiro de 2008, o site The FWA publicou o The World is my canvas, site promocional da Nokia, produzido pela agência Fafar, para popularizar o GPS. Stavros, personagem principal do site, é um artista que, segundo ele, viaja o mundo fazendo desenhos, ou melhor, “position art” com o GPS de seu celular Nokia. Mas todos os desenhos supostamente feitos em GPS divulgados no site, ao meu ver, não parecem tão reais. Você também acha?
Loucos reais por “Position Art”
Muito louco levou essa idéia a sério e está por aí fazendo arte com GPS. O projeto GPS Drawing, do artista inglês Jeremy Wood, recebe colaboradores de toda parte do mundo. Eles resolveram transformar o planeta em uma grande tela de desenho. Os desenhos são feitos por navegação em terra, água ou ar. Muitos trabalhos são enviados por pilotos de avião, paraquedistas, ciclistas e até caçadores de baleia. E, atenção, ainda não há colaboradores do Brasil!
A idéia de usar o GPS como instrumento de desenho surgiu quando Wood gravou o trajeto de um vôo comercial de Berlin para Londres em outubro de 2000. Depois disso, ele passou a gravar seus trajetos diariamente, construindo seu mapa pessoal. A cada viagem, Wood adquire um novo trabalho para sua coleção. Hoje Jeremy Wood faz exposições digitais e físicas com mostras tridimensionais dos desenhos e administra workshops para ensinar a produzir um desenho em GPS, além de promover excursões com o intuito de produzir desenhos em GPS. No workshop, ele ensina a planejar o desenho, desenhar com GPS e depois, trabalhar os resultados. O material produzido pode virar uma animação ou uma escultura. Há ainda, experimentos com animais em que o GPS é preso no animal.

Vídeo do cachorro desenhando com GPS (4.8MB Quicktime Sample)
Agora, se você achou isso surreal, imagine jogar “jogo da velha” usando GPS. Como assim? Jeremy Wood e seu amigo Hugh Pryor percorreram 2,29 quilômetros, formando um desenho de 100 metros quadrados na praia de Waxham, em Norfolk, um condado da Inglaterra. A brincadeira durou um pouco mais de 30 minutos, andando a 4km/h. Quem ganhou o jogo? Deu velha! Mas, isso pouco importa. Para eles, o resultado foi um desenho divertido.

Eu fiquei realmente impressionada com a façanha do artista. Poderia ficar horas e horas falando sobre o quão louco é desenhar com GPS. Mas como tenho q terminar esse post, vou fechar com uma animação gerada a partir das linhas capturadas pelo GPS de paraquedistas em um festival de wingsurf:


Não é incrível?





